EDITORIAL

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28/07/2018

Assim Vai o Rugby Português

No passado dia 26 de Julho, face à renúncia dos elementos da direcção da FPR, realizou-se uma AG extraordinária no sentido de solucionar o impasse criado.
E assistimos a situações também extraordinárias, tal como a AG, que, pensávamos nós, não seriam possíveis por parte de pessoas lúcidas, com interesse na resolução dos interesses da modalidade.
Assim, em vez de se eleger uma comissão executiva de gestão para preparar rapidamente eleições, sabendo-se até haver candidatos para assumir o mandato, mesmo que intercalar, com autoridade conferida por eleições, assistiu-se a uma fantochada inaudita, aliás também permitida por um presidente da AG colaborante com a mesma.
Pasmo como um clube como o Direito, que tem criticado,  muitas vezes com razão, situações menos boas no funcionamento do rugby, e se tem unido a outros clubes para propostas que permitam, por um lado, aumentar a competitividade geral e, por outro, resolver o anacronismo de os clubes estarem há quase duas épocas reféns das posições da arbitragem, que se arrastam sem solução, num panorama nunca antes visto no rugby, e que não vislumbramos noutras modalidades, tomou as posições que se viram nesta AG.
Trazer um programa para uma comissão de gestão alargada, propondo que a mesma abrangesse nove ou dez meses, ainda por cima com  uma conversa repleta de generalidades e banalidades, sem nomes que a avalizassem, mostra bem a vontade de adiar por largo período de tempo os problemas do nosso rugby.
Pedir a interrupção de 5 minutos para arranjar nomes para a mesma, foi então verdadeiramente anedótico.
Pegar em nomes de uma outra proposta do Técnico, Belenenses e Cdul, esta  para uma comissão para preparar eleições, tirar outros, depois meter mais três, quatro ou cinco que se aproximaram do promotor da proposta, não metendo outros que não o fizeram, de forma aleatória, mostra bem o propósito de quem o faz. O cúmulo do ridículo ainda se passa quando o presidente da AG lê os nomes da proposta, afinal o Costa até era outro!
Um dos outros elementos é o presidente da ANAR, que deveria tentar resolver com uma direcção as suas reivindicações, justas ou não, em vez de integrar o órgão executivo que as deve resolver.
Pareceu-nos que o propósito deliberado destas acções foi o adiamento de definições, o protelamento de ter uma direcção legitimada, com que intuitos?
Lamentamos que outros clubes, em nome de uma lista de consenso, mas qual consenso, tenham aceite viabilizar esta fantochada.
Um adiamento de decisões, por exemplo a procura de financiamentos, principalmente os comerciais, todos sabemos que é entre Setembro e Dezembro que se angariam esses apoios, as eleições em Fevereiro no período “quente” das soluções desportivas, a tomada de posse em Março, tudo isto terá sido avaliado e pensado?
Não de certeza pelos votantes, provavelmente apenas pelos proponentes.
O Técnico orgulha-se de ter votado contra esta coisa híbrida, este adiamento que o rugby não precisava, e que esperamos não deixe sequelas inultrapassáveis a curto prazo.
Mas também não queremos deixar de dizer que, a acontecer, tem responsáveis.
Lisboa, 28 de Julho de 2018
Pedro Lucas

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